quarta-feira, 24 de maio de 2017

Quase 200 anos de hegemonia Prussiana. Parte 3 - De Junho a Agosto de 1914. Da Guerra europeia à Primeira Guerra Mundial.

A Inglaterra inicialmente não quer a guerra e tenta inclusive desanimar a Alemanha da guerra, mas depois da invasão da Alemanha sobre a Bélgica, de maneira que só aí é que a posição da Inglaterra é que altera, visto que o que a Inglaterra teme é o mudar da sua posição na hierarquia das nações ou seja no mundo, visto que essa ameaça ao status quo vem devido ao expansionismo imperialista Alemão, que por ventura da vitória alemã levará ao redesenhar das hierarquias e ao expansionismo alemão para cima de outros estados como Holanda, Dinamarca, Suécia, etc, e assim ameaçar a Inglaterra e a sua posição.
            A entrada do exército alemão na Bélgica leva a que a Inglaterra se tenha que envolver e transforma o conflito em algo mundial, tendo em conta a posição de Inglaterra no mundo.
            A entrada e progressão das forças alemãs na Bélgica, em Agosto de 1914, é semelhante á progressão e entrada das forças austríacas na Sérvia, o que leva aos famosos massacres dos países ocupados, sendo que este tipo de massacres são actos de violência injustificados.
            Se até Junho de 1914, a guerra é algo de vitória fácil na perspectiva do HQ alemão e que considera esta guerra com duas frentes, em Agosto de 1914 a ideia do Kaiser a ideia já não é a mesma, sendo que esta mudança de ideia passa pela declaração de guerra por parte de Inglaterra, se bem que na câmara do governo é dito que nada obriga a que a Inglaterra assuma as responsabilidades terrestres da guerra, sendo que entrar com o seu exército na guerra deixaria o território britânico sem defesa, o que levou a um incentivo ao recrutamento, sendo que há uma afluência considerável dos ingleses, sendo que a impressa inglesa tem forte culpa nisto, até com a publicação de noticias falsas sobre o inimigo, para motivar a população inglesa com a adesão de forças, e tenta-se assim legitimar a entrada da Inglaterra na guerra, sendo que que a entrada na guerra aposição inglesa no mundo fica em risco, mas hesitando sempre enviar forças terrestres para França. Isto em Agosto de 1914.
            Lord Kitchener, comandante do Estado Maior Inglês, homem e militar de grande experiência militar, acha que a Inglaterra não está preparada para a guerra europeia, visto que a Inglaterra está habituada a outros povos, com menos tecnologia, com outro ambiente, sendo que assim se achava que a Inglaterra não se iria dar bem.
            Para mais a Inglaterra não tem por exemplo, uniformes suficientes para vestir os homens que precisa e tenta recrutar, e os primeiros recrutados vão com fardas dos correios porque a Inglaterra não se preparou como deve de ser para a afluência de homens.
            A Inglaterra quereria estancar o avanço alemão sem se envolver directamente com a potência alemã, sendo que até nas conferências de paz, a Inglaterra tenta sempre fazer algumas cedências à Alemanha, e portanto quando a Inglaterra entra na guerra, entra contrariada.
            A Inglaterra não queria decididamente que a Alemanha ganhasse a guerra visto que, se a Alemanha dominasse o continente europeu, quer por conquista quer por influência, então a Inglaterra não via um futuro para a Inglaterra no continente europeu, sendo que até 1915, e a entrada da Itália na guerra, a Inglaterra tem sempre a ideia de que se deve tentar criar paz com a Alemanha, visto que a Inglaterra estava numa guerra que também não tinha a certeza de que conseguiria ganhar, o que altera em 1915 e com a entrada da Itália na guerra do lado dos Aliados é a supremacia naval que os aliados ganham no Mar Mediterrâneo, sendo que o Império Otomano revelou-se não o Homem doente da Europa, mas sim uma força que daria muitos afazeres e dores de cabeça aos ingleses, e que iria ameaçar as fontes de petróleo inglesas.
            Em Agosto de 1914 os Ingleses conseguem meter no terreno do Médio Oriente cerca de 50.000 homens. Muitos desses serão homens indianos que foram recrutados no império, mas que não se adaptaram ao clima europeu, mas revelaram melhores capacidades de lidarem com o clima no médio oriente.
            Na Irlanda irá haver um movimento patriótico, sendo que irá levantar 100.000 homens que irá oferecer para combater pelos ingleses em França, sendo que Lord Kitchiner irá recusar estas forças, de maneira a que assim o movimento independentista irlandês irá oferecer os seus préstimos ao Kaiser, oferecendo uma nova frente que se presta a destruir a capacidade de resistência da Inglaterra, e isto irá dar origem a repressões na Irlanda, visto que em tempo de guerra estes homens irão ser chamados de traidores, o que leva a que traidores à pátria são executados como tal, de maneira a que isto irá levar a descontentamento popular, sendo que os populares acusavam este grupo como traidores, mas o tratamento de que estes compatriotas sofrem, leva a que comesse a haver simpatia por estes homens, o que levou a que quanto em 1918 a Inglaterra saísse de vencedora da Primeira Guerra Mundial, mas entra logo em guerra na Irlanda, que perde.
            A própria Inglaterra, depois da declaração de guerra contra a Alemanha, demora 3 semanas a fazer passar as suas forças para o outro lado do canal da mancha, o que demonstra a falta de preparação em termos de forças terrestres para a guerra. A Inglaterra, não tem ao início formas de vestir os seus homens, depois não tem armamento suficiente (se bem que é resolvido rápido), depois não tem como alimentar as suas forças, sendo que as potências europeias possuem estruturas e planos logísticos para fornecer as suas forças.
            Agosto de 1914 demonstra as dificuldades de Inglaterra, mas mostra também uma guerra em que ambas das partes se mostram conhecedoras das características da outra parte, sendo que a Inglaterra quando entra na guerra mostra-se como defensora das minorias étnicas, como a minoria checa do império Austríaco, ou seja, demonstra-se ser capaz de minar os inimigos no seu interior. Os russos também se vão mostrar como promotores da Polónia livres e os austríacos também se vão mostrar como apoiantes de uma Polónia libertada. A Polónia está repartida entre a Rússia e a Alemanha, sendo que a Áustria vem a chamar pela independência da Polónia que está sobre a Rússia, de maneira que o Império Austro-Húngaro irá criar uma Legião de 100.000 homens polacos, para que estes combatam pela Polónia russa, sendo que o fim da guerra e a perda da Rússia, os polacos ficariam com um território independente na Rússia conquistada e a parte polaca no Império Austríaco teria benefícios e poderes próprios como tinha a Hungria dentro do Império.
            Em Agosto de 1914 na fronteira da Polónia austríaca com a Polónia russa, Lenine é preso, tal como foram presos os cidadãos das potências beligerantes dentro do Império austríaco. Os Sociais-democratas austríacos apoiam a ideia da liberdade de Lenine, sendo que estes defendem a ideia de que se Lenine entrar na Rússia, este irá causar distúrbios e ajudar o Império austríaco na guerra.
            Na Rússia, quando se começa a aperceber que a guerra será longa, então começasse a sentir uma oposição á participação na guerra. Em 1914 a população russa, ao contrário da população alemã, inglesa e francesa, não está predisposta a entrar em guerra, daí a boa recepção das ideias sociais-democratas, sendo que na Rússia os ideias sociais-democratas de que os trabalhadores não devem travar armas uns com os outros, mas estas ideias não se geram na Alemanha e Império Austríaco, sendo que na Rússia a mobilização torna-se mais complicada. A População russa em Agosto de 1914 preocupa a França e a Inglaterra, visto que estas duas potências vêm a população russa como permeável tendo em conta os ideias de apoio de minoria que vem da Alemanha e do Império austríaco, sendo que irá haver apoio a emancipações Geórgia e arménias, sendo que a ideia dos Alemães e aliados seria de fazer da Rússia uma manta de retalho que levasse a uma mais fácil derrota da Rússia.
            A Rússia conseguiu no entanto surpreender a Alemanha logo no primeiro mês, obrigando a que a Alemanha reorganize os seus planos, visto que o Exército russo avança rapidamente dividido em duas forças distintas, o que leva a que o domínio alemão na Prússia fique em risco. Inicialmente o Plano Schliffen achava que o exército russo demoraria 6 semanas a mobilizar, e portanto os alemães teriam essas 6 semanas para derrotar a França e depois avançar para Leste, isto não acontece com a rápida mobilização russa. Assim, em Agosto de 1914 os alemães vão chamar o General Von Hindenburg que era considerado velho para a época, para conter os russos a Leste. A mobilização alemã a Leste com o uso excepcional dos caminhos-de-ferro e com a divisão dos combates levando á batalha da floresta de Tutenburg que quando é apresentada como vitória ao Kaiser é elevada a uma batalha mítica.
            O Estado-maior alemão sofre de um excesso de confiança, sendo que depois essa confiança foi destruída pelos eventos, mas a Alemanha queria no entanto combater as forças francesas, inglesas e belgas ao mesmo tempo de maneira a demonstrarem a sua superioridade, sendo que talvez tenha sido demais. Esta expectativa irá levar a que a resistência apresentada seja mais do que o que os alemães estão á espera, sendo que a resistência belga será na forma de guerrilha, de modo que as forças alemãs não aceitam que haja forma de guerra se não a convencional, o que irrita imenso os generais alemães. Os refugiados belgas inicialmente passam para a França e depois alguns para a Inglaterra, sendo que não questionando o martírio belga, os refugiados são olhados de lado, sendo que serão tratados de uma maneira que não se espera para a condição de refugiados.
            Outra surpresa na guerra é o contra ataque Sérvio contra o Império Austríaco. A capacidade da Sérvia de reagir à Áustria em Agosto de 1914 é tão forte que obriga a Áustria a retirar de espaço Sérvio por completo, o que cria na Sérvia uma aura de invencibilidade que irá durar até ao final da guerra, sendo que esta aura leva a que no pós guerra a Sérvia seja forte na redefinição do Balcãs no pós guerra. A própria Sérvia irá ser alvo de massacres e irá aproveitar isto para uma guerra de propaganda, sendo que as notícias são feitas para impressionar, exagerando as noticias para provocar reacções.
            A 23 de Agosto de 1914 o Japão declara guerra à Alemanha, sendo que o Japão tenta através do contexto de guerra para se apoderar das posses alemãs na Ásia, sendo que a sua entrada é pragmática no seu caso, sendo que no imediato do pós guerra, o Império Alemão é o aliado preferencial do Japão, sendo que importa conhecimento, materiais e reformas militares. Para mais quando em 1904 o Japão sai vitorioso contra a Rússia mas perde na dinâmica diplomática, sendo que a Inglaterra e os EUA não querem o crescimento do Japão na Ásia, e assim saindo da guerra como vitorioso, não ocupa o território conquistado.
            A entrada do Japão na guerra em Agosto de 1914 é uma dos impedimentos dos EUA entrarem na Primeira Guerra, sendo que o outro aliado que os EUA não querem é a Rússia porque é autocrática, e assim em 1917 depois da queda da monarquia na Rússia isto deixa de ser um impedimento. Em 1914 o Japão era Nacionalista e Imperial, e uma posição fortíssima dos militares na sociedade japonesa, sendo que nunca tocando na estrutura imperial, os militares estabelecem-se como instituição estatal. O Japão é um regime militarizado e nacionalista, sendo que este nacionalismo é anti-ocidental.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Trump e os seus amigos da Arábia Saudita

Este post é para todos os que como eu acreditaram em Donald Trump. Mais, este post é para aqueles que ainda acreditam nele.

Justin Raymondo tem hoje um violento artigo contra Donald Trump e a sua “viagem de negócios” à Arábia Saudita. Reescrevo as palavras de Justin;



Compreendo bem Justin Raymondo. Eu penso igual e não sou propriamente um paleo-conservative. 



Tudo isto é demais. 

O discurso anti-terrorista de Trump ontem foi, no mínimo, surrealista por dois motivos; O primeiro é que ele foi realizado na Arábia Saudita, que acolhe e defende os maiores patrocinadores do terrorismo de sempre, o país que doou centenas e centenas de biliões de dólares para a causa do radicalismo islâmico. Al-Qaeda e também o Daesh vivem também dos fluxos financeiros que a casa de Saudi lhes transfere.

A segunda razão é que havia 55 ( ! )  líderes do medio oriente a ouvir Trump. Do egípcio Al-Sisi que está a combater o radicalismo islâmico e a tentar sufocá-los com os métodos brutais que conhecemos, ao Qatar, por exemplo, que é um patrocinador do terrorismo que El Sisi combate. E o primeiro-ministro da Tunísia, Yussef al-shaed, que tem de gerir o país que produziu mais combatentes jihadistas de sempre e não é capaz de passar uma lei no parlamento que os coloque a julgamento. Para todos eles Trump teve a mesma conversa.

Mas o importante - tal como com o "Nobel da Paz" Obama - mais que os discursos eloquentes são os factos. E esses dizem que Trump, assim como Obama e Bush , se está a preparar para inundar a Arábia Saudita com armas que podem bem acabar na mão dos terroristas, - 350 biliões ao longo de dez anos, com 100 biliões imediatamente. O maior negócio de armamento de sempre.

Nada muda com Trump.

Nada vai mudar, mesmo em relação a Israel. Trump vai fazer a proposta de costume "menos colonatos, menos violência para com os palestinos” e Israel vai fingir que aceita, sabendo que os colonatos são vitais para a sua estabilidade e a sua economia. 

A única diferença real entre Obama e Trump, é a ênfase colocada em como o Irão é a causa de todos os males do Médio Oriente . Irão, aliado da Rússia e da China no “one road, one belt”.

O acordo nuclear de 2015 foi, de facto, a página mais bem-sucedida nos oito anos de política externa de Barack Obama. Mas é bom lembrar que as sanções dos EUA contra Teerão existem há 25 anos e nunca foram retiradas devido à oposição da maioria republicana no Congresso. 

Com estas posições, talvez Trump queira recuperar essa parte do Partido Republicano que nunca o amou e que continua a não amar. Pelos vistos o bombardeamento da Síria não foi suficiente para os Reps deixarem passar o Trumpcare. 

Se Trump realmente acredita que é apenas o Irão o desestabilizador do Médio Oriente, e não vê a enormidade dos danos causados pelos seus aliados como a Arábia Saudita, Qatar e a Turquia, então só podemos esperar mais guerra.


Ninguém vive acossado. Sobrevive. E por isso se ajoelha.

O pântano ganhou. Outra vez.



terça-feira, 16 de maio de 2017

Quase 200 anos de hegemonia Prussiana. Parte 2.2 - Inglaterra; França; Rússia e Alemanha. Os "cheks and balances" do inicio da primeira guerra mundial

A Sérvia ter acesso ao mar no início do Séc. XX significa também que a Rússia tem acesso ao mar, sendo que a própria Sérvia passaria de uma pequena potência regional para uma grande potência regional. A Sérvia e a Rússia possuem relações de proximidade isto porque são Eslavos e Ortodoxos, vendo-se a Rússia como o protector desta potência, daí percebendo-se um pouco a participação da Rússia na I Guerra Mundial.
A Alemanha em 1891 inicia as suas leis navais de modo a meter e cheque a Inglaterra no mar, para contrabalançar isso a Inglaterra irá entrar numa aliança com a França, visto que a França e a Rússia já desde 1894 que estão em aliança defensiva contra a Alemanha, de modo que a Inglaterra em 1907 junta-se à Aliança.
A Entonte cordial é uma aliança antagónica, visto que a Inglaterra e a Rússia têm problemas no Médio Oriente, e a França e a Inglaterra têm problemas uma com a outra em África.
A guerra começa quando o Arquiduque Francisco Fernando do Império Austro-húngaro é assassinado na Bósnia (A Bósnia ganha a sua independência em 1878 quando a Rússia ganha uma guerra contra o Império Otomano, de maneira que a Bósnia fica sobre influência do Império Austro-Húngaro, Império este que em 1908 anexa a Bósnia, de maneira a que este Império cresça e para impedir que a Sérvia faça o mesmo. Assim cresce o Nacionalismo sérvio, estes nacionalismos e anarquismos usam a “acção directa”, ou seja Terrorismo, por via do atentado selectivo ou indiscriminado, que se torna numa forma de intervenção politica em voga no final do Séc. XIX pela Europa. O nacionalismo sérvio é financiado pela “Mão Negra” uma organização nacionalista/anarquista sérvia, que irá matar o Arquiduque Francisco Fernando em 28 de Julho de 1914, de maneira que a Sérvia como Estado nada tem haver com o atentado, sendo que a Sérvia informa o Império Austro-húngaro que não há condições de segurança para a visita do Arquiduque, mas mesmo assim este decide ir.), apesar de que o Arquiduque Francisco Fernando era um promotor de se voltar à monarquia dual (desde 1867 a Áustria e a Hungria decidem criar um sistema político único, descentralizando as capacidades de decisão no terreno, se bem que as duas partes não são iguais, visto que a Hungria não poderia ter armamento pesado e não poderia entrar em guerra sem a autorização da Áustria). O que o Arquiduque Francisco Fernando queria era elevar os Eslavos do Sul a Reino e portanto passar a monarquia dual a uma monarquia tripartida, de maneira a que cada uma das partes seria igual a outra, assim mantinha-se um Império que se via a desagregar por influências de Nacionalismos anti Áustria,isto leva a que Francisco Fernando não fosse amado na Áustria.
Com a morte do Arquiduque Francisco Fernando a 28 de Julho de 1914, fica-se à espera das reacções das nações a este atentado, porque no final da I Guerra Mundial, a Alemanha será tida como a principal culpada do início da Grande Guerra, visto que esta no início de Agosto de 1914 inicia invasões para a Polónia russa e francesa antes de declarar guerra à Sérvia. Apesar de tudo, o Império Austro-húngaro não quer entrar em guerra, visto que a Sérvia possui uma aliança muito forte com a Rússia, temendo uma guerra contra a Rússia. O Imperador mais o seu primeiro-ministro não querem entrar em guerra nem mesmo depois da morte do herdeiro da coroa, sendo que outros ministros querem aproveitar esse assassinato de maneira a se imporem sobre a Sérvia com uma indemnização de guerra, mas também para reduzir a importância Geoestratégica à Sérvia por cessação de território ou de imposição de material de guerra. Estas ideias irão permanecer até final de Julho de 1914.
O Embaixador alemão no Império Austro-húngaro afirma que um assassinato desta magnitude tem que ter resposta, sendo que primeiramente o Império Alemão promete-se a ser a retaguarda do Império Austro-húngaro contra a Sérvia, mas isso não poderia por em causa as relações do Império alemão com o Império Russo. Mesmo estando o Império Austro-húngaro dividido quanto ao que se deve fazer. O Império Austro-húngaro envia um ultimato à Sérvia, Ultimato este que foi feito para a Sérvia não aceitar. Este Ultimato pressupunha o final da propaganda anti austríaca na Sérvia, pressupunha o final da actividade de propaganda anti Austríaca na Bósnia que era feita por organizações Servias, e a Servia deveria desmantelar as organizações anti Austríacas, a Áustria fazia-se representar na comissão que investigava a morte do Arquiduque Francisco Fernando, e por ultimo a Áustria fazia-se representar em todas as fazes do julgamento e execução dos culpados pelo atentado, sendo que a Sérvia segundo este ultimato teria de ceder soberania das suas instituições. Ao contrário de todas as expectativas a Sérvia aceita o Ultimato do Império Austro-húngaro.
Esta aceitação da Sérvia pode ser explicada pela Inglaterra. A Inglaterra actua sobre a Sérvia de maneira a que esta aceite as condições para evitar uma guerra que ia custar mais que o que a Sérvia perderia se aceitasse. Em caso de guerra a Inglaterra sabia que se a Sérvia não ia sozinha e portanto não era uma guerra isolada, visto que a Rússia era a protectora da Sérvia, e a própria Rússia começa a mobilizar-se para a guerra, se bem que em segredo.
O problema é que a França afirma que se a Rússia avançar então a França avança para proteger a Rússia se a Alemanha avançar contra a Rússia, visto que a Alemanha apoia a Áustria. O problema para a Alemanha é que a Rússia foi desde o Séc. XIX um perigo iminente para a Prússia (e depois para a Alemanha), sendo que depois de 1815 e do congresso de Viena a Prússia absorve parte da Polónia e o resto vai para a Rússia, de maneira a que se impeça a expansão fácil da Rússia para Oeste (esta é a função da Prússia). A Prússia irá continuar a aumentar até 1871 quando se dá a unificação da Alemanha. Uma Alemanha com medo de uma expansão Russa, de maneira que para além de sentir medo desta expansão, a Alemanha no imediato antes da guerra sente-se cercada, este cerco é explicado pelo sistema de alianças. Apesar de tudo, a Prússia primeiro e a Alemanha depois, tentam conceber boas relações com a Rússia, pelo menos até 1895, isto por causa do Schilfen Plan que é concebido em 1895, visto que só era possível a consolidação da posição alemã sem a preocupação da frente Leste, e portanto por causa da aliança da França com a Rússia a Alemanha espera ter uma guerra em duas frentes semi simultâneas, visto que a Alemanha via o Plano Schlifen como uma boa maneira de destruir rapidamente a França para depois enviar as suas forças pelos seus vastos caminhos de ferros (que serão essenciais e chave) para Leste para combater os exército russos.
Não deve ser esquecido que estes caminhos de ferro construídos pela Telefuken, só são construídos devido ao sistema criado por Bismark no qual grandes empresas empreendiam grandes projectos pagos pelo estado, levando a que o potencial alemão é usado ao máximo nível para gerar enormes redes de caminhos de ferro.
O problema do Plano Schlifen é que pressupõem a queda de neutralidades sucessivas. Em 1912 a Holanda é subtraída da linha de avanço, mantendo-se a Bélgica e Luxemburgo. O objectivo era em 6 semanas conseguir chegar a Paris e resolver o problema da França (as 6 semanas era o período que a Rússia iria demorar para mobilizar o seu grande Exército). Por em causa a neutralidade da Bélgica punha em causa os interesses da Inglaterra (visto que a Inglaterra tinha criado a Bélgica em 1830 para assegurar um território seu amigo e neutral na Europa [consequências do bloqueio continental de Napoleão]). O problema é que a Alemanha tinha a grande convicção de que a Grã-Bretanha não se ia envolver na guerra, sendo isto evidente entre Nicolau II e Guilherme II.
A guerra começa de facto quando a Sérvia diz que gostaria de ter a auditoria do Tribunal Internacional de Haia. A Áustria toma isto como uma quebra da aceitação do Ultimato, retirando o embaixador de Belgrado e declarando guerra à Sérvia, esta que já havia mobilizado as suas forças (mesmo aceitando o Ultimato) e retira a capital de Belgrado. Um mês depois da morte do Arquiduque Francisco Fernando, Belgrado é bombardeada, sendo que a mobilização russa é feita de maneira a que a Áustria veja a mobilização russa e não avance, o que não acontece.
O período anterior à I Guerra Mundial é um período em que a diplomacia é acompanhada por demonstrações de força, de maneira que a Alemanha quando faz passar um navio de guerra do Báltico para o mar do norte, deixa divididas as câmaras inglesas. Loyd George era a favor de pacifismo e Churchil a favor de guerra. Loyd George afirmava que as relações com a Alemanha eram as melhores e portanto quando apresenta o Orçamento de Estado para o ano seguinte demonstra que quer baixar o orçamento da defesa, mas daí a um mês estaria a declarar guerra  à Alemanha pela quebra da neutralidade belga.
A Alemanha invade a Bélgica e o Luxemburgo e a 2 de Agosto morre o primeiro homem francês, ordenando-se assim a mobilização total, uma mobilização que é recebida com muita festa, sendo que depois de 1871 os franceses entraram numa década de crise por causa das compensações de guerra que pagaram à Alemanha e também pela perca da Alsácia e Lorena.
A Alemanha entra em contacto com a Inglaterra com vista a que a Grã-Bretanha se mantivesse neutral. A Grã-Bretanha afirma que para isso a Alemanha tinha apenas que não combater a França no território europeu. A Inglaterra apenas permitia guerra nos territórios franceses em África, mas mesmo Guilherme II podendo querer isto o seu Estado-maior diz que em cenário de guerra isto não é possível, e portanto, a Alemanha diz que não pode manter a integridade do território francês na Europa.
Assim sendo a Alemanha tem que derrotar a França antes da Rússia conseguir mobilizar as suas forças, para isso teria de quebrar a neutralidade da Bélgica e Luxemburgo de maneira a cumprir o Plano Schlifen.
A Inglaterra inicialmente não quer a guerra e tenta inclusive desanimar a Alemanha da guerra,  de tal maneira que só a partir da invasão da Bélgica é que a posição da Inglaterra é que altera, visto que o que a Inglaterra teme é o mudar da sua posição na hierarquia das nações ou seja no mundo, visto que essa ameaça ao status quo vem devido ao expansionismo imperialista Alemão, que por ventura da vitória alemã levará ao redesenhar das hierarquias e ao expansionismo alemão para cima de outros estados como Holanda, Dinamarca, Suécia, etc, ameaçando a Inglaterra e a sua posição.

            A entrada do exército alemão na Bélgica leva a que a Inglaterra se tenha que envolver e transformar o conflito em algo mundial, atendendo à posição de Inglaterra no mundo.


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Quase 200 anos de hegemonia prussiana - Parte 2.1 - Os Balcãs como fonte de conflito na Europa. As bases da Primeira Guerra Mundial.

A guerra é europeia, sendo que apesar do palco mais estudado ser o europeu, o médio Oriente e os Balcãs são palcos quentes deste conflito, sendo que para além da diferenças étnicas e dos interesses geopolíticos e geoestratégicos, existe um legado dos impérios que por aí passaram, havendo católicos ortodoxos, muçulmanos, judeus etc.
            Em 1829 é reconhecido internacionalmente a independência da Grécia, e a Sérvia ganha autonomia dentro do Império Otomano. Em 1878 a seguir ao tratado de Berlim, a Sérvia é reconhecida como independente, sendo que este tratado vem desenhar os Balcãs, sendo que é despoletado por uma guerra entre os Otomanos e os Austro-húngaro, de modo a que os Otomanos são afastados progressivamente até ás guerras balcânicas (que antecederam a Primeira Guerra Mundial). É nestas Guerras Balcânicas que os Otomanos retiram por completo das zonas Balcânicas, saindo os Balcãs vencedores, os vencedores viram-se contra a Bulgária, sendo que a Bulgária sai muito poderosa da primeira guerra, sendo que o desentendimento entre os antigos aliados oferece á Turquia a possibilidade de voltara a ocupar territórios que perdeu.
            No séc. XIX a lógica da diplomacia europeia é a ideia do “Homem doente” e como homem doente, os familiares vão repartindo entre si as áreas que querem. A divisão das posses dos Homem Doentes, serve para resolver problemas entre Impérios e Potências na Europa, sendo que a Turquia é o Homem doente na Europa, em África o Homem Doente é o Império Português e na Ásia havia a China.
            No caso português existem negociações entre Alemães e Ingleses desde 1898 até 21 Outubro de 1913, e na China em 1842 os Ingleses tentam forçar a entrada do ópio na China, em benefício da Companhia da Índia Oriental Inglesa. Esta Guerra do ópio leva a que existam os chamados “Tratados desiguais”, que era na sua essência, o acesso dos Ingleses a zonas do Império Chinês que passavam a ser na prática governadas e controladas pelos ingleses, sendo que as restantes potências irão querer o mesmo, e a China, na metade do séc. XIX irá querer alienar as potências nos seus territórios.
            Nos Balcãs, as guerras balcânicas são despoletadas por causa da iniciativa Italiana de atacar o Império Otomano na Líbia, de modo a conseguir aí estabelecer uma colónia, sendo que a Itália consegue esse território em 1912, oferecendo uma imagem de fraqueza da Turquia, e portando as potências regionais ficam com a ideia de que se pode atacar a Turquia.
            Em 1882 forma-se a Tríplice Entente entre o Império Alemão, o Império Austro-Húngaro e da Itália. A Entrada da Itália numa aliança com o Império Austro-húngaro é estranha, mas tem que se ver que a unificação da Itália em 1871 só se dá com o apoio do Império Alemão (que se unificou no mesmo ano), assim sendo, o Império Alemão tendo um aliado no Mediterrâneo fazia com que a França e a Inglaterra não tivessem mão livre no Mediterrâneo, visto que só a partir de 1891 é que a Alemanha tem uma política de construção naval. Visto que o acesso ao mar permite escoar produtos, e ter poder de fogo acrescido.
            A Sérvia não tem costa, sendo que o Império Austro-Húngaro, tem uma enorme costa, e se a Sérvia consegue um acesso ao mar (Águas quentes do Mediterrâneo), para isso são apoiados pelo seu grande aliado que é a Rússia, e a Rússia quer acesso a águas quentes, sendo que assim conseguem ameaçar o controlo dos Ingleses sobre o Mediterrâneo e sobre o canal do Suez e por sua vez o caminho para o maior poder económico inglês que é a Índia. Também no final do Séc. XIX com o advento de novas tecnologias termodinâmicas começasse a precisar de combustível para além do carvão, que é o Petróleo, sendo que a primeira área onde se explora petróleo é a Pérsia, que é controlada pelos Ingleses que escoam o petróleo por mar. Os alemães em 1899 gastam enormes quantidades de dinheiro em construir um caminho-de-ferro de Berlim a Bagdad, de modo a controlar o Império Otomano e de maneira a escoar os Petróleo, de maneira a tentar anular o monopólio da Inglaterra por mar.
            Em 1898, os Alemães anunciam as suas leis navais, que vão de 1898 até 1914 (Autores afirmam 3 leis outros afirmam 4). O seu objectivo é aumentar a capacidade marítima da Alemanha, quer em termos quantitativos e qualitativos, começando em 1898 um esforço alemão de aumento das suas forças terrestres e ao mesmo tempo aumenta as suas forças navais, começando com a construção de Couraçados em 1898, passando pelo desenvolvimento de novos sistemas de Armamento, que não entram em conformidade com as Conferências da Paz em Haia (conferencias que tentam parar o escalar da construção de armamento), a primeira foi convocada em 1899 por Guilherme II da Rússia, ao mesmo tempo em que os Ingleses estão em Guerra com os Boers, sendo que os Boers estão em Guerra com a Inglaterra. Nesta primeira Conferência, pretende-se limitar os orçamentos para o Armamento, sendo que se via que o aumento desse orçamento fazia com que não se aplicasse esse dinheiro no comercio europeu, tenta-se proscrever as balas de fragmentação e os gases asfixiantes, pretende-se proscrever projecteis enviados de balões, e pretende-se que as Nações se submetam a um Tribunal Internacional da Paz em Haia. Este movimento pacifista das sociedades europeias, nada tem haver como o movimento socialista que também é pacifista, nesta primeira conferência tenta-se oferecer o conceito de guerra como antiquado e não merecedor de atenção por parte de civilizações avançadas, sendo que a guerra de 1914 mostra que não vai ser bem assim.
            A segunda em 1907, realiza-se sobre o convite de Wilson, sendo que o convite é feito em 1904, para se fazer a conferência em 1905, mas nesse ano inicia-se a Guerra Sino-Russa, e portanto só acontece em 1907, reunindo 44 países (ao contrário dos 22 primeiros). A Bulgária em 1899 aparece com delegação pela Turquia, sendo que em 1907 já aparece com delegação própria. Nesta segunda conferência tenta-se criar regras para que se saiba o que é um Neutral, um Beligerante e as regras entre estes, de modo a que o armamento e tácticas a utilizar.
             A Inglaterra até 1914 tem que trazer tudo do mundo para si, sendo que os seus interesses estão em juros sobre o capital emprestado, que está na América Latina, do norte, India e Canal do Suez, ou seja, são a primeira praça financeira do mundo, sendo que das suas colónias retiram as matérias para a sua indústria. Na Europa, o interesse Inglês era o de controlar o expansionismo Russo, visto que a Rússia é a única potência que pode desestabilizar os seus interesses no Extremo Oriente e no Médio Oriente, mas também têm o interesse em para uma Guerra que altere o satus quo da Europa, como era o caso da Alemanha, que ao construir caminhos-de-ferro pelo Império Otomano, ameaçando assim as posses inglesas e o monopólio inglês no Médio Oriente. A Bélgica e a sua Neutralidade é um outro factor que obriga a entrada da Inglaterra em guerra, visto que quem controla a Bélgica tem capacidade para entrar na Inglaterra, visto que esta é o quintal da Inglaterra, sendo assim a Bélgica é Geoestratégicamente importante para todas as potências como tampão.
            Nos Balcãs temos Império Otomano, Império Austríaco (que vai anexar em 1908 a Bósnia Herzegovina, para impedir a Sérvia de chegar ao mar), temos a Sérvia, temos a Rússia, a Grécia (com aliados como a França e a Inglaterra), o Montenegro e a Bulgária (que vai entrar em confronto com a Sérvia). Sendo assim cada uma destas potências irá seguir o seu próprio caminho. Havendo potências que ganham a guerra dos Balcãs, perdem a Primeira guerra Mundial, e as que ganham a Primeira Guerra Mundial, perdem contra potências menores no pós guerra. A Inglaterra ganha a Primeira Guerra Mundial, mas perde em 1921 a Guerra contra a Irlanda, tal como a Alemanha que perde a Primeira Guerra Mundial, mas depois irá ganhar contra a Polónia em 1939.
            O Império Otomano será a grande surpresa da Primeira Guerra Mundial, sendo que era visto como o “Homem Doente”, mas que na Primeira Guerra Mundial se torna como essencial porque é pelo Império Otomano que passa o Petróleo que é preciso para mover as máquinas de Guerra. Para além da derrota dos contingentes Ingleses em Gallipoli, e também em Bassorá, visto que aí passam rotas petrolíferas importantes, que hoje a Rússia apoia rebeldes para conquista desta cidade contra o DAESH.
            A Primeira Guerra Mundial vai obrigar os aliados a fabricar industria especifica como os magnetos que os carros usam, que até 1914 só eram produzidos pela BOSH (alemã), sendo que depois de começaram a construir estas indústrias, então começam a passar as suas fábricas para zonas como a América.
            O Império Austro-húngaro tenta manter a sua ordem política por uma ordem geográfica, sendo que a Sérvia tenta chegar ao mar pela ocupação da Albânia, sendo que no seguimento desta ocupação a Sérvia recebe um ultimato. A Albânia que é fundada por entendimento entre o Império Austro-Húngaro e Otomano, para impedir a Sérvia de chegar ao mar, sendo quem em 1913 a Sérvia ocupa a Albânia e recebe um Ultimato para retirar num período de 8 dias. Assim sendo, o Império Austro-húngaro retira-se da concertação das potências, fazendo-se passar por protector da Albânia. Este acto do Império Austro-Húngaro é repudiado pelas potências Europeias, sendo que Guilherme II da Alemanha envia um telegrama ao Imperador Austro-húngaro, felicitando este pela iniciativa e criticando ao mesmo tempo, sendo que ao mesmo tempo vê-se a Alemanha a preparar a sua população, principalmente por propaganda, para que a sua população se prepara para uma guerra entre os Teutónicos e os Bárbaros (isto é feito desde 1912), sendo que se a Sérvia ganha acesso ao mar e ter como grande aliado da Rússia, dando assim grande exposição e ascendência à Rússia e por isso expor a Alemanha à força Russa, visto que assim também se enfraquece o Império Austro-Húngaro. A Sérvia vale pela importância que tem para a Rússia.
            Em 1904 a Inglaterra e a França assinam um tratado quem em 1905 se torna Ofensivo e Defensivo, sendo que o assinam para resolver a crise de Marrocos. Finalizando-se em 1907 a aliança com a Rússia porque esta com a Inglaterra resolvem o que têm a resolver nos Balcãs.
           Os conflitos de interesses que explodem para o Médio Oriente, Norte de África e Europa, devido ao acesso ao mar, e devido à capacidade ou não de escoar matérias levará em ultimo caso à guerra.
           Hoje em dia o acesso ao mar aberto, como podemos ver pela Rússia ou a China, continua a ser vital e razão para conflitos.



domingo, 14 de maio de 2017

Quase 200 anos de hegemonia prussiana. Parte 1 – O Zollverein e Bismarck.

         Em 1834 o reina da Prússia, o poderio militar dos povos alemães decide criar uma união económica entre as dezenas de Estados que compõem hoje a Alemanha.
            Esta união não faz mais que regular as taxas alfandegárias entre os estados, regulando assim os preços, conseguindo estabilizar os preços e facilitar as trocas de pessoas e bens, criando uma comunidade económica.
            O reino da Prússia sai das guerras napoleónicas como uma das vencedoras, mas mesmo que as guerras napoleónicas vissem a vitória final de Napoleão, as consequências da guerra eram demasiadas para retrair a Prússia do seu futuro.  
            Quando o Imperador Napoleão decreta o bloqueio continental as economias europeias são obrigadas a adaptar-se a viver sem os bens que eram vendidos pela indústria de transformação inglesa, bens que não eram produzidos em mais lado nenhum.
              Estes bens eram na sua maioria tecidos, a produção de tecidos europeus estava totalmente nas mãos da Inglaterra, o que levou a uma falta de tecidos gravíssima depois do bloqueio continental.
            Esta medida de Napoleão visava destruir a máquina económica inglesa e por usa vez a vida urbana que mantinha as Forças Armadas inglesas a funcionar. A Inglaterra vivia quase que exclusivamente do mercado europeu. Impossibilitando o escoamento do seu quase que único produto para a Europa destruiria a economia inglesa.
            Por muita verdade que seja, o então reino da Prússia adaptasse, e entra na primeira vaga de industrialização para substituir a Inglaterra na produção de tecidos e mais tarde de outros bens para toda a Europa, usando para isto a sua rede de rios para fazer escoar os seus produtos pela Europa.
            A industrialização da Prússia representa a lógica da máquina industrial que vai suster a Alemanha na primeira e segunda Guerra Mundial.
            A primeira vaga de industrialização da Prússia cria um sistema que se aproveita da própria geografia prussiana, isto é, o aproveitamento dos rios para criar energia.
            Ao contrário da França em que a primeira industrialização levou a que uma população que estava fortemente urbanizada fugisse para os campos devido á fome, doença e desemprego nas cidades, na Prússia começam-se a formar fortes aglomerados de populações á volta dos rios, rios que viam crescer pequenas industrias financiadas por homens ricos (pertencentes á nobreza ou não) que financiavam estas pequenas industrias.
            O Estado da Prússia irá servir de catalisador. O Estado irá, a partir do banco do Estado da Prússia, gerar empréstimos para que estas pequenas indústrias consigam crescer.
            As indústrias funcionavam numa espécie de pirâmide. No topo estava o Estado que fornecia os contractos e investimentos. Estes investimentos eram feitos em empresas que se especializavam num artigo em específico. Por vezes, este artigo não seria vendido em separado, uma fábrica produzia um artigo que teria de ser produzido
            Assim todas as empresas funcionavam em conjunto para suprimir as necessidades do Estado Prussiano, conseguindo também levar a população.  
            No entanto, aceder a fundos estatais trazia consigo requisitos.
            Estes requisitos eram obra do Chanceler Otto Von Bismark.
            Bismarck nasceu na Prússia em 1815 no ceio de uma família aristocrática, o que lhe permitiu estudar e ascender na hierarquia social. A sua vida profissional começou com a sua entrada para o sector público do Estado prussiano, no entanto Bismarck acabaria por sair do sector público ao qual só voltaria na década de 1850 depois de casar.
            Voltaria como embaixador, servindo nas embaixadas do Império Russo e da França.
            Antes disto a Prússia começa a anexar vizinhos germânicos, invocando a desculpa do espírito Germânico, estabelecendo-se o Zollverein como parte deste espírito, e como ferramenta para escoar os bens da indústria prussiana para o resto dos Estados alemães que não tinham acompanhado esta evolução industrial.
            Estabelecido o Zollverein, os bens prussianos facilmente começam a chegar a todo o território do futuro Império Alemão.
            Com o Zollverein estabelecido Bismarck impõe certas regras à Industria.
            Estas regras vêm no seguimento de 1848 e do perigo que o Socialismo representava para Bismarck.
            No início da década de 1850 Bismarck volta á vida pública como Chanceler de Willhelm I da Prússia, falando no parlamento prussiano contra o Socialismo.
            Como forma de impedir que as populações urbanas que se tinham gerado pela industrialização prussiana provocada pelo bloqueio continental se revoltassem - e de forma a impedir que as industrias que sustentavam os Estado prussiano, quer devido aos fundos investidos, quer devido aos impostos recolhidos – Bismarck obriga a que todas as empresas forneçam serviços que hoje em dia são considerados normais.
            Pela primeira vez as empresas eram obrigadas a fornecer serviços de saúde, pensões por ferimento (as chamadas baixas) e reformas para a população que já não poderia trabalhar.
            Obrigando a que as empresas suprimissem todas e quaisquer necessidades que os seus trabalhadores tivessem, impossibilitando assim que os ideias socialistas e revolucionários entrassem nas populações urbanas, mantendo assim a base do Estado sólida.
            Do lado do Estado vinha o dinheiro. O Estado que era o maior comprador a estas industrias gera um sistema no qual as empresas prussianas ficam quase que dependentes dos contractos estaduais, contractos estes que ao longo dos anos começam a crescer, obrigando a que as empresas se adaptem, que cresçam e que sejam capazes de gerar um out put enorme, o que leva a que empresas maiores comprem empresas mais pequenas de modo a ser capazes de cumprir as encomendas estatais.
            É exactamente desta forma que hoje em dia funciona a Industria de Defesa dos Estados Unidos da América, a única diferença é que na Prússia, todos os sectores funcionavam desta forma, levando a que a industria se desdobrasse por todos os sectores e que fornecesse todos os produtos que a sociedade prussiana necessitasse, o que leva a que a Prússia no final do Séc. XIX seja praticamente auto sustentada.
            O advento da segunda revolução industrial, o uso do carvão e do ferro só vieram definir de vez a proeminência terrestre da Prússia e futura Alemanha, visto que o território Alemão onde se encontrava estabelecido o Zollverein era rico em carvão e ferro, o que permitia que facilmente fossem adquiridas as matérias-primas para as industrias.
            Em quanto Willhelm I foi Rei a Prússia participou em várias guerras que aumentaram as posses prussianas.
            Primeiramente combateu contra a Dinamarca pela aquisição de territórios no Norte, seguidamente na década de 1860 Bismarck instigou uma guerra contra o Império Austro-Húngaro que também ganhou, e finalmente em 1870 conseguiu que entre outros assuntos, devido á sucessão do trono espanhol, a França declarasse guerra á Prússia, guerra esta que Bismarck ganha, levando a uma total unificação dos territórios alemães, coroando-se Willhelm I Imperador da Alemanha e Bismarck o seu Chanceler em 1871.
            Os territórios ganhos na guerra contra a França deram á Alemanha ferro e especialmente carvão, o que impulsionou ainda mais a indústria alemã.
            No entanto em 1890 Bismarck desapareceria da vida política.
            Em 1884 e 1885 Bismarck como Chanceler alemão convida toda a Europa a reunir em Berlim para decidirem definitivamente como seria dividido o continente de África.
            Bismarck publicitou a Alemanha como o neutral (visto que Bismarck afirmava que a Alemanha era uma potencia terrestre e europeia, devendo continuar assim), de modo que seria a potência mais bem colocada para servir de árbitro nesta discussão.
            A divisão é feita e a Alemanha acaba por ficar com alguns territórios em África, mas que Bismarck vê como absorvedores de dinheiro, decidindo não aplicar grandes fundo públicos nas colónias alemãs, mas incentivando investidores privados a irem para as colónias e a explorares o terreno, de modo que surge o ditado de que “A Bandeira segue o comércio”, ou seja, a bandeira alemã só era hasteada onde um investidor alemão estivesse presente.
            No começo da década de 1890 o novo Kaiser, Willhelm II, literalmente despede Bismarck do posto de Chanceler da Alemanha, não gostando que Bismarck discordasse das suas opiniões.
            Willhelm II possuía ideias de expansão marítima para o Império Alemão. Invejoso da Frota do seu primo George V de Inglaterra, Willhelm II decide embarcar numa série de reformas e construção naval levando á criação das 4 leis navais que viriam a aparecer na primeira metade da década de 1890, estas ideias de expansão marítima advêm da influência de outro militar, o Almirante Von Tripitz, este que irá substituir Bismarck como Chanceler Alemão.
            Bismarck acabará morrer poucos anos depois, mas Bismarck e o Zollverein possibilitaram que a Prússia crescesse até se tornar no Império Alemão, através de guerra, e de uma Estratégia económica e financeira que colocou a Prússia na frente da Europa continental.
            Assim, ainda hoje, a Alemanha é a grande Prússia. 


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Em política o que parece é

Donald Trump despediu Comey director do FBI numa decisão que está a agitar muito a politica norte-americana a os habituais média que acusam Trump de montar uma “conspiração contra a Democracia”!

James Comey tem um histórico de trapalhadas tendo sido acusado por Hillary de ser uma das duas causas da sua derrota (sendo a outra os Russos e não ela !) e  por Trump de não ter feito tudo o que estava ao seu alcance sobre o caso dos emails de Hillary / Podesta. Ou seja tanto os Dem´s com Rep´s queriam a sua cabeça!

A justificação formal para o despedimento foi, após a confirmação de um Procurador-Geral Adjunto, que a inabilidade de Comey em lidar com o caso dos emails “leakados” podia ter posto em causa seriamente a credibilidade do FBI e dos US.

Relembremos que Comey coordenava neste momento a investigação sobre as ligações de Trump aos Russos e que, segundo se diz, a investigação está a acumular muitos e relevantes factos contra o Presidente norte-americano. Aceitemos; este momento, é extremamente inoportuno, para despedir o director do FBI, isto um dia antes de Lavrov ir a Washington falar com Rex Tillerson, falando-se mesmo nos media generalistas e anti-trump das semelhanças com as tentativa de Nixon de encobrimento….

Das duas uma; ou Trump é totalmente inábil politicamente e não está devidamente aconselhado ou então parece que quer esconder qualquer coisa da sua relação com os Russos.

Não acredito que Donald Trump tenha demitido Jim Comey porque ele foi incompetente a lidar com os emails de Hillary. Como dizia Sá Carneiro em politica “o que parece é” e a mim parece-me – como já disse aqui e aqui .- que o “Deep State” tem muitos trunfos contra Trump que ainda não vieram cá para fora. O próximo target será McMaster.

Trump está em maus lençóis e vai adiando o inevitável. Duvido que acabe bem. 



sexta-feira, 5 de maio de 2017

A "One Belt-One Road" Chinesa e Mackinder; a Geografia ainda importa.

A tecnologia pode moldar a forma como as forças militares interagem com a geografia definindo o campo de batalha. Os aviões podem voar sobre as altas montanha, os navios podem cruzar os vastos oceanos, os mísseis intercontinentais podem voar sobre as montanhas e os vastos mares. As redes ciber estão em todo o lado.

No entanto, apesar da tecnologia, a realidade geográfica permanece a mesma. As montanhas ainda são altas, os oceanos ainda são vastos. A distancia entre as coisas é real.

Passou despercebido a muitos que no dia 18 de Janeiro de 2017, chegava ao Eurohub de Londres no Reino Unido o primeiro comboio de contentores da China. Concluída em 18 dias, esta conexão ferroviária ameaça perturbar as cadeias logísticas entre a China-Europa, com os fretes aéreos a serem especialmente vulneráveis devido ao elevado custo / beneficio que têm. O trânsito de 10.000 a 12.000 quilómetros leva de 12 a 18 dias, dependendo da rota. Este comboio, no entanto, teve origem em Yiwu na província chinesa oriental de Zhejiang. O comboio, carregado de têxteis e bens de consumo, percorreu uma rota de 11 600 km em 18 dias - metade do tempo que os navios levam por via marítima através do Canal de Suez, apesar de serem ainda significativamente mais baratos.

O comboio foi operado pelo InterRail Group, um operador de transporte multinacional com sede na Suíça, em nome da China Railway. Os contentores tiveram de ser descarregados e recarregados várias vezes nos vagões, devido à incompatibilidade das bitolas ferroviárias ao longo da rota.

O carregamento, o primeiro a chegar a Londres, foi o mais recente exemplo da iniciativa "One Belt-One Road" de Pequim para desenvolver vários corredores de transporte das cidades costeiras da China para a Europa Ocidental. Até à data os comboios chineses foram enviados para Hamburgo, Madrid, Cabul e Riga. Também viajaram de Hamburgo para a província chinesa de Hefei.

Em 2016, cerca de 40 mil contentores foram transportados por via férrea da China para a Europa. Esse número deverá aumentar para 100 mil até 2020. Em comparação, em 2014, a China enviou 5,75 milhões de contentores para a Europa por via marítima.

A iniciativa "One Belt-One Road" é um investimento comercial e político proposto por Xi Jinping em Setembro de 2013. Esta iniciativa foi projectada para criar canais de transporte eficientes entre as cidades costeiras da China e o resto da Eurásia.

O programa tem duas componentes separadas: um amplo programa de infra-estruturas de transportes terrestres, composto por oleodutos, estradas e ligações ferroviárias de alta velocidade por toda a Ásia, ligando a costa do Pacífico à já extensa infra-estrutura de transportes da Europa. apelidado de " Silk Road Economic Belt ", sendo acompanhado por uma igualmente extensa " Maritime Silk Road ", que é ancorada no desenvolvimento de novos portos e expansão dos existentes em todo o Oceano Índico.

O "Silk Road Economic Belt", por sua vez, consistirá em três eixos distintos. Um “ north belt” que atravessa a Ásia Central e a Rússia até à Europa. O “central belt” que atravessa a Ásia Central e Ocidental até ao Golfo Pérsico e ao Mediterrâneo, e o  south belt que passa pelo Sudeste e Sul da Ásia até o Oceano Índico.

A região abrangida pelas duas iniciativas vai da África Oriental até a Ásia Central, Sul e Leste e abrange a bacia do norte do Oceano Índico. Há cerca de 60 países envolvidos no programa "One Belt-One Road". Pequim estimou que a iniciativa exige entre 4  a 8 triliões de dólares de investimento para se concretizar plenamente.

No Oceano Índico e no Sul da Ásia, o investimento chinês está a financiar o desenvolvimento de ligações ferroviárias de alta velocidade a partir das cidades costeiras da China através de Myanmar para o Oceano Índico.Pequim está também fortemente envolvido no desenvolvimento e expansão de instalações portuárias em toda a região.

No Sri Lanka, por exemplo, a China forneceu mais de 5 biliões de dólares de ajudas e empréstimos e prometeu mais 10 biliões em investimentos nos próximos três anos. O China Merchants Port Holdings adquiriu uma participação de 80 por cento no porto de Hambantota no Sri Lanka e investiu mais 1,4 biliões de dolares no desenvolvimento das infra-estruturas do porto de Colombo - capital do Sri Lanka.

O investimento chinês inclui 45 biliões em vários investimentos no Paquistão principalmente no desenvolvimento de um porto novo no Oceano Índico em Gwadar. A China também alugou uma pequena ilha nas Maldivas por 50 anos em troca de um pagamento de 4 milhões de dolares. Mais importante, Pequim está a construir a sua primeira base no exterior em Djibouti, África Oriental, na junção do Mar Vermelho com o Oceano Índico.

A iniciativa possibilitará assim integrar a região da Eurasia e do Oceano Índico numa zona económica coesa, combinando um extenso programa de infra-estruturas de transporte, desenvolvimento de recursos, intercâmbios comerciais, culturais e políticos.

Ao pensarmos que muitos dos países da Ásia Central e do Sudeste são também investidores no Asian Investment Infrastructure percebemos que o sucesso desta iniciativa chinesa implicará grandes mudanças no equilíbrio económico  e geopolítico da Eurásia e do Oceano Índico com consequências imediatas no equilíbrio político e eventualmente militar.

A iniciativa "One Belt-One Road" da China mostra semelhanças interessantes com uma geoestratégia, teorizada em 1904 pelo geógrafo e político britânico Sir Halford John Mackinder. Nesta teoria, a que deu o nome de "Pivot Geográfico da História" ou "Heartland Theory", Mackinder argumenta que a geografia do mundo poderia ser dividida numa "ilha do mundo" que consistia nos continentes interligados da Europa, Ásia e África, "as ilhas" da Grã-Bretanha e do Japão e as "ilhas periféricas", formadas pelos continentes insulares da Austrália, América do Norte e América do Sul.

A “Ilha do Mundo” contêm a maior parte da população e recursos do mundo. É a maior região e, teoricamente, a mais rica. No centro da Ilha do Mundo estava o Heartland, uma área que se estende do Volga ao Yangtze e dos Himalaias ao Árctico. Para Mackinder, o desenvolvimento do caminho de ferro tornou possível, pela primeira vez na história, uma potencia dominar o Heartland e, tendo em conta os recursos e a posição central, dominar a “Ilha do Mundo” e ao fazê-lo, tornar-se a potencia mais proeminente do mundo.



Mackinder acreditava que a Europa Oriental era a chave para controlar o Heartland. Ele resumiu assim sua visão estratégica:

"Quem governa a Europa Oriental comanda o Heartland;"
"Quem governa o Heartland comanda a “Ilha do Mundo;"
"Quem governa a Ilha do Mundo comanda o Mundo".

O Heartland era impenetrável ao poder marítimo. O árctico gelado no norte, as montanhas e os desertos no sul protegiam-no. Antes do desenvolvimento do caminho de ferro, a vastidão do Heartland tornava impossível a uma única potencia terrestre dominá-lo. Ao longo da história, grandes impérios tentaram dominar este vasto território; os persas com Ciro, os gregos com Alexandre, os árabes com o Califado Abássida e dinastias posteriores e os mongóis. Durante grande parte do século XIX, os impérios russo e  britânico discutiram o controle desta região, o que os historiadores chamaram de Grande Jogo.

Na visão de Mackinder, a Rússia, ou quem eventualmente controlasse o Heartland, representava a maior ameaça ao Império Britânico. Contra um poder de terra tão poderoso, o poder marítimo britânico seria insuficiente para balancear. A expansão contínua da Rússia pela Ásia iria inevitavelmente levar ao controle russo de todo o continente euro-asiático. Na época, Mackinder viu três possíveis actores que poderiam potencialmente dominar o Heartland:

Alemanha, que primeiro dominaria a Europa Oriental - porta de entrada para o Heartland, - e, em seguida, conquistaria o Império Russo;
Uma aliança germano-russa. Como a de Catarina II e Frederico da Prússia;
Um Império Sino-Japonês que se expandiria para o oeste, absorvendo o Império Russo.

A tese de Mackinder revelou-se errada. Um ano depois de publicar sua teoria, a Grã-Bretanha e a Rússia assinaram a Convenção Anglo-Russa, deixando de lado suas diferenças para formar, com a França, uma aliança anti-alemã. No entanto, as teorias de Mackinder tiveram ampla aceitação e influência no pensamento geoestratégico.

Os paralelos entre a teoria de Mackinder e a iniciativa chinesa "One Belt-One Road" ficam por aqui. Este foi um exercício exploratório que deu gosto fazer mas, não é de facto credível que Pequim se tivesse inspirado num estrategista geopolítico britânico para construir a sua grande estratégia.

A iniciativa económica, politica e diplomática da China baseia-se na necessidade de Pequim garantir o acesso a matérias-primas vitais, bem como o seu acesso aos mercados externos para a sua produção. A"Silk Road Economic Belt " e a " Maritime Silk Road ",  são uma estratégia paralela para garantir o sucesso dessa iniciativa.

Não, a China não quer controlar a “Ilha do Mundo”, mas o sucesso económico da estratégia "One Belt-One Road" provavelmente pressupõe um grau de influência política e diplomática que a China não tem nessa região desde o Império Mongol. E tudo vai fazer por tê-la.

Trata-se de uma estratégia incompatível com os interesses de Donald Trump, ideia a que voltarei um destes dias. Mas esta estratégia também prova que mesmo agora, um século depois, apesar das sucessivas revoluções tecnológicas e uma reorganização completa das principais potências do mundo - a geografia ainda importa.